Na matéria anterior, apresentamos os aspectos da catolicidade da Igreja, bem como o compromisso missionário que isso comporta. O Catecismo continua sua instrução, apresentando outro elemento fundamental da identidade da Igreja. A Igreja que é Católica e é também Apostólica.
“A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. E isso em três sentidos: foi e continua a ser construída sobre o ‘alicerce dos Apóstolos’ (Ef 2,20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo; guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina, o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos; continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até ao regresso de Cristo, graças àqueles que lhes sucedem no ofício pastoral: o colégio dos bispos, ‘assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja’: ‘Pastor eterno, não abandonais o vosso rebanho, mas sempre o guardais e protegeis por meio dos santos Apóstolos, para que seja conduzido através dos tempos, pelos mesmos chefes que pusestes à sua frente como representantes do vosso Filho, Jesus Cristo’” (CIC 857).
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Os apóstolos foram fiéis evangelizados e escolhidos por Cristo, com uma missão que extrapola os limites dos compromissos batismais, trata-se de compromissos ministeriais. O Evangelho diz ainda que Jesus chamou os que Ele quis (cf. Mc 3,13-19). O termo “apóstolo”, nas Escrituras, significa “continuador da missão”. Esses escolhidos, após a ascensão de Jesus Cristo aos céus, continuam a promover e anunciar a Boa Nova da Salvação, inaugurada pelo Mestre.
“No encargo dos Apóstolos, há um aspecto não-transmissível: serem as testemunhas escolhidas da Ressurreição do Senhor e os fundamentos da Igreja. Mas há também um aspecto permanente de seu ofício. Cristo prometeu-lhes ficar com eles até o fim dos tempos. ‘Esta missão divina confiada por Cristo aos Apóstolos deverá durar até o fim dos séculos que o Evangelho que eles devem transmitir é para a Igreja, em todos os tempos, a fonte de toda vida. Por esta razão os apóstolos cuidaram de instituir sucessores’” (CIC 860).
Os apóstolos, a princípio, provavelmente se assustaram com essas declarações do Senhor. Porém, a ressurreição, bem como a grande efusão do Espírito Santo na bendita manhã de Pentecostes, fizeram deles ousados e corajosos anunciadores da paz:
“‘Do mesmo modo que o encargo confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, o primeiro dos Apóstolos, e destinado a ser transmitido aos seus sucessores, é um múnus permanente, assim também é permanente o múnus confiado aos Apóstolos de serem pastores da Igreja, múnus cuja perenidade a ordem sagrada dos bispos deve garantir’. Por isso, a Igreja ensina que, ‘em virtude da sua instituição divina, os bispos sucedem aos Apóstolos como pastores da Igreja, de modo que quem os ouve, ouve a Cristo e quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo’” (CIC 862).
Toda a Igreja, então, é apostólica. Cada fiel, unido a esse dom, testemunha com a vida que a palavra de Cristo é fiel e digna de confiança. Quando esse fundamento é ameaçado, a unidade da Igreja é comprometida. Daí podemos intuir quantos danos causaram os grandes cismas e heresias ao longo desses quase dois mil anos de cristianismo. O fundamento, porém, é sólido, pois foi instituído pelo próprio Salvador.
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