Desde o dia 22 de setembro, o supertufão Ragasa — já considerado o mais intenso de 2025 e visível do espaço — tem causado destruição em países da Ásia. Ele atingiu primeiro o norte das Filipinas, onde deixou mortos e milhares de deslocados, depois passou por Taiwan, provocando inundações e ao menos 14 mortes confirmadas, e por fim alcançou Hong Kong e o sul da China, forçando evacuações em massa.
Nossa redação entrou em contato com missionários da Comunidade Shalom em Manila – norte das Filipinas e uma das regiões afetadas pelo fenômeno. Eles não foram diretamente atingidos pela catástrofe, mas partilharam sobre os desafios com essas intempéries naturais, bem como sobre a suas experiências de se unirem com as dores do povo filipino.
Sofrendo com as dores do povo filipino
Para Djalma Júnior, o missionário da Comunidade que que reside em Manila desde a fundação da missão da Comunidade Shalom na lha em 2017, “as chuvas têm sido intensificadas, se comparado aos anos anteriores. Apesar disso, o país vive um grande esforço para salvaguardar a vida das pessoas, especialmente, os que vivem em situaçao de maior risco”.
“Ao mesmo tempo que ficamos apreensivos por vermos tantas realidades acontecendo e em muitas não temos as condições de auxiliar mais, vemos também que o nosso papel de pais e mães espirituais vai se tornando mais claro. Ouvimos mais. Sentimos mais. E assim vamos comoreendendo a dor do outro com serenidade e esperança.”
Os missionários têm auxiliado os familiares das vítimas em busca de notícias e por meio de acompanhamento espiritual.
“Junto à toda Igreja vamos nos unindo em favor de um povo que mais uma vez sofre as dores de um tempo inconstante, porém que não perde a sua fé”, afirma Djalma.
Há um ano atrás
Segundo Maria José Freitas, responsável pela missão da Comunidade em Manila, anualmente as Filipinas sofrem com a passagem de 25 tufões durante o período de junho a dezembro.
Em julho de 2024, os missionários da Comunidade Shalom sofreram de perto com a temporada de tufões que atingiu Manila. Na época, sua residência foi invadida pela água e eles foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros.
“Aquele foi um momento de dor para nós, mas ao mesmo tempo foi também – pessoalmente, onde eu pude me enculturar, literalmente, vivendo também a dor deles e ali também poder interceder mais, diante das situações que eles vivem ano após ano, vendo as suas casas inundadas”, recorda.
O que se aprende com os filipinos?
E o processo de enculturação dos missionários acontece com as dores dos filipinos, mas também com como eles as enfrentam. Karine Carvalho, missionária há quase quatro anos em Manila, destaca duas virtudes que aprende com os filipinos, sobretudo em meio a essas calamidades: a resiliência e a alegria.
“O que eu posso testemunhar sobre o povo filipino é a resiliência que eles trazem. Aqui nós somos afetados por 6 meses durante o ano pelos tufões, que destroem muitas coisas. Os filipinos vão perdendo posses, casas, bens materiais e mesmo assim eles continuam firmes, recomeçam mais uma vez, seguem a vida e novamente um outro tufão se aproxima e eles estão lá prontos para viver novamente… sempre estão dispostos a recomeçar com esta alegria estampada no rosto que vai transmitindo também para todos nós, nos dando um novo vigor também quanto missionários”, revela.
Situação de Taiwan
Além das Filipinas, outra terra de missão da Comunidade Shalom que também foi afetada pelo supertufão foi o caso de Taiwan. Segundo Pe. Vitor Bomfim, Coordenador Apostólico de Hsinchu e Animador Apostólico do Regional Ásia, nos disse:
“Aqui em Hsinchu, nossa região não foi tão atingida, apenas alguns ventos e chuva fraca. Porém, Hualien, que fica do lado oposto da ilha, sofreu muitos danos, cerca de 14 mortos e mais de 30 desaparecidos nas enchentes. Rezemos por estes afetados”, pediu o sacerdote.
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A Comunidade Shalom acompanha a situação dos missionários em Manila e Taiwan e se une em oração por todas as vítimas afetadas pela catástrofe.
Por Socorro Mouta