“Da Liturgia, pois, em especial da Eucaristia, corre sobre nós, como de sua fonte, a graça, e por meio dela conseguem os homens com total eficácia a santificação em Cristo e a glorificação de Deus, a que se ordenam, como a seu fim, todas as outras obras da Igreja” (Constituição Sacrosanctum Concilium, 10).
A Eucaristia é, poderíamos dizer, o Sacramento do Espírito Santo, porque mais do que qualquer outro é o Sacramento da Páscoa de Cristo, do qual fluem “rios de água viva” (Jo 7,38). É o “pão da vida” (Jo 6,35.48-51), da vida do Espírito. O “alimento espiritual” (1Cor 10,3), como afirma São Paulo. É na força do Espírito que cada Eucaristia é celebrada e é na força do Espírito Santo que a Eucaristia se difunde na Igreja. Neste Sacramento, como em tudo, o Espírito está no princípio e no fim; ele é a alma da celebração da Eucaristia.
A ação do Espírito Santo na celebração eucarística
Em toda a economia da salvação (CIC 1066), se juntam o Verbo e o Espírito e da mesma forma o vemos na Eucaristia. A Tradição da Igreja compreendeu que na Eucaristia o Espírito Santo age com as seguintes funções:
– anamnética: através do memorial, o Espírito nos torna contemporâneos do único acontecimento da salvação, da morte e ressurreição de Cristo; ele que nos dá acesso a toda a vida do Filho (cf. CIC 1103);
– profética: o Espírito Santo nos permite entrar na Comunhão dos Santos dos céus e da terra, ou seja, somos feitos um com a Jerusalém celeste e com todos os que na terra celebram a Eucaristia, e isso é uma memória do futuro que nos espera no Reino;
– de comunhão: o Espírito torna os crentes “membros uns dos outros” (Rm 12,5; Ef 4,25) e, de uma só vez, membros do único Corpo de Cristo (cf. Rm 12,5; 1Cor 10,17; Ef 5,30): “Todos nós que participamos do mesmo pão e no mesmo cálice estamos unidos uns aos outros na comunhão do único Espírito Santo” (São Máximo, o Confessor).
Santo Efrém, o Sírio, nos diz: “O Senhor chamou o seu corpo vivo de pão, encheu-o de si mesmo e do Espírito Santo… Aquele que come este corpo com fé, come com ele o fogo do Espírito Santo. Tomai, comei-o todos (cf. Mt 26,26), e, comei com ele o Espírito Santo”. A participação na Eucaristia é comunhão com o cálice de sangue, no cálice do Espírito Santo, graças ao qual somos saciados (cf. 1Cor 12,13). No coração da liturgia, como verdadeiro centro unificador de toda Oração Eucarística, está a epiclese, a invocação pela descida do Espírito sobre as ofertas e sobre a assembleia. Aqui estão alguns exemplos das anáforas mais antigas:
Nós vos pedimos, ó Pai, que envieis o vosso Espírito Santo sobre a oferta da Santa Igreja. Reunindo-a na unidade, dai a todos que participam das coisas santas, serem cheios do Espírito Santo (Tradição Apostólica 4).
Te pedimos e te invocamos, ó Santo dos santos: pelo beneplácito de vossa bondade, venha o vosso Espírito Santo vir sobre nós e sobre os dons presentes aqui. Criai unidade entre nós que comungamos com o único pão e o cálice, na comunhão do único Espírito Santo (Anáfora de São Basílio).
Nosso Deus, nós vos invocamos, pedimos e suplicamos, que envieis o Teu Espírito Santo sobre nós e sobre os dons presentes aqui. Fazei que este pão se torne o precioso corpo do vosso Cristo, e o que está neste cálice transforme-se no precioso sangue do vosso Cristo, transformando-os com o vosso Espírito Santo, para que para aqueles que nele participam seja purificação da alma, remissão dos pecados, comunhão do vosso Espírito Santo, plenitude do Reino (Anáfora de São João Crisóstomo).
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Pois quem come deste pão, viverá para sempre (cf. João 6)
O Espírito Santo invocado pelo sacerdote sobre os dons apresentados no altar é o mesmo que une o coração dos fiéis no desejo de amar a Deus e uns aos outros. A Eucaristia é um Sacramento esponsal, a Igreja esposa de Cristo o celebra dia após dia e o faz em sua memória. Esta celebração, como falamos no início deste artigo, é uma fonte e uma fonte transbordante.
Retornando a Santo Efrém, no hino sobre a fé ele continua sua catequese sobre o Espírito e a Eucaristia: “O fogo desceu com ira para destruir os pecadores, mas o fogo da graça desce sobre o pão e nele permanece. Em vez do fogo que destruiu o homem, comemos o fogo no pão e fomos vivificados.”
Comemos o fogo no pão e ficamos inflamados de amor, o mesmo amor ardente que abrasava o coração Cristo, que tendo amado os seus, amou-os até o fim (cf. Jo 13,1). Comemos este pão e recebemos uma nova efusão do Espírito Santo, como nas palavras do Ressuscitado aos discípulos (cf. Jo 20,22). Comemos deste Pão e cresce em nós a graça do Amor Esponsal e este fogo que arde na nossa alma nos leva a dar tudo, a amar a todos, a querer a vida do Amado, a obra dele os interesses dele. Quem come deste pão vive eternamente, diz o Senhor, mas quem come deste pão se transforma em Eucaristia viva e o é pelo fogo do Espírito Santo que transforma tudo!
Na próxima semana vamos continuar falando sobre o Espírito Santo na liturgia, pedindo que o Fogo do amor Divino inflame e transforme o nosso coração.
Vem Espírito Santo!
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