Luz sagrada, que espalha tesouros do Céu e antecipa a eternidade.
Ela entrou por minhas portas fechadas, meus muros de pedra, percorrendo caminhos que só ela conhecia, arrancando-me das prisões dos medos e desconfianças que eu mesmo construí e nas quais me prendi.
Eu encontrei uma luz que não é fria, que não me escraviza nem me limita, que não anestesia meus sentidos nem me distrai das dores que preciso viver.
Mas, ao contrário, eu vi uma luz que brilha justamente por ser ferida, por ter marcas como as minhas, e que assim me liberta e me cura do mal sofrido e causado por mim.
Uma presença viva
Eu vi uma luz. E eu posso tocá-la.
Não é uma luz passageira, mas cheia de presença. Presença de Deus.
Luz que movimenta, que pulsa, que é viva, que devolve a vida às minhas paralisias e me diz:
“Corre!”
Pois o Céu é presente, e não há tempo a perder com nada que não seja Luz.
Eu vi uma Luz, e ela estava em mim.
Ela me esperava — eu, tão indigno, covarde, escondido.
Mas ela não perguntou meus motivos. Abraçou-me e mostrou-me o quanto conhece o jugo das perdas, da morte, do pecado… e o quanto eu não fui feito para carregá-lo.
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Uma luz que chama
Essa Luz me invade e me convida a sair, a seguir.
Suave e intensa. Paciente, que me respeita e, ao mesmo tempo, me atrai irresistivelmente.
Uma Luz que me chama de amigo.
E, como um certo pobre amigo, quero me despir do efêmero, das riquezas do mundo, e declarar ao mundo que só essa Luz me basta.
Eu vi uma intensa Luz. E fui visto por ela.
Tornou-se vida em minha vida, o pulsar do meu coração.
E, como quem invade um espaço por brechas jamais vistas, ela encontrou o caminho certo para que, com seus olhos, eu me veja, enfim, como o filho amado que sou.
Caem muros. Abrem-se portas. Rompem-se correntes.
A confiança encontra sua casa.
O que era medo torna-se esperança.
O que era ausência agora é presença.
É festa. É abundância.
E assim, de repente, o meu lugar escuro fez-se Luz.
E ela sempre estará aqui.
Ali, eu vi o clarão que iluminou e transformou o meu coração.
Que fez brilhar, em cada uma das minhas mortes, o esplendor da Ressurreição.
Por Guilherme Melo
Shalom, Comunidade Vida – Diaconia Geral Shalom
