Quero hoje vos falar de uma personagem importante para a nossa Vocação!
Prometo, ao menos desejo, que tão simples rabiscos falem aos vossos corações…
Uma mulher sobre a qual fico a refletir em suas palavras e, especialmente, em seus atos é Maria Madalena.
Uma figura totalmente esponsal.
Sua vida é expressão concreta, bela e forte do Amor que a conquistou inteiramente, não restando vestígios de qualquer outro amor que porventura pudesse ressurgir em seu coração e memória.
Tudo nela apontava Jesus. Seus pensamentos eram Jesus e não podia ser diferente.
Alguns até dizem que foi esta mesma Maria que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas e enxugou-os com os próprios cabelos.
De um ou outro modo, incansavelmente Maria amou o Senhor.
Uma vez que foi inflamada de amor por Ele, a tudo se dispôs e tudo realizou para corresponder, mesmo que imperfeitamente, a este mesmo amor.
Ao visitar o sepulcro, desejava chorar a perda do amado, querendo inclusive ungir-lhe o corpo.
A partir do encontro que mudou sua vida, de um olhar tão terno do Senhor para ela – enquanto estava prestes a ser lapidada publicamente devido ao seu pecado – Madalena nunca mais foi a mesma. Uma chama acendeu-se dentro dela. A ressurreição agia no mesmo instante que Jesus a olhou e a perdoou.
Em tantos lugares buscou Maria o amor, como também nós que, ao nos depararmos com as primeiras flores de um belo jardim, já ali paramos e nos deleitamos sem saber que mais adiante o próprio Criador de tudo, o autor de toda beleza, bondade e verdade está continuamente a cultivar tal Jardim.
É isso, caros leitores, que Maria descobriu: uma revolução interior de magnitudes insondáveis. Ela experimenta do próprio Deus-Amor, amor este humilde que se abaixou até ela, concedendo-lhe não só o perdão, mas uma Vida!
Depois dali, tão forte foi sua experiência que nunca mais deixou o Mestre. Estava ela perto dele em tudo, como uma virgem prudente sempre a deixar que o azeite do amor esponsal estivesse a queimar dentro de si.
Antes ainda do sepulcro, está ela aos pés da Cruz, e dali não consegue sair: todo o seu ser é atraído para o Crucificado.
Embora ferida porque o Seu Amor está ferido e crucificado, algo nela a faz perseverar, a contemplar tal mistério, que em si é insondável.
Aliás, à medida que caminhava com o Mestre, Maria, a discípula do Amor Esponsal, ia descobrindo o que tal amor realmente significava. Portanto na cruz, um novo estágio do amor esponsal se iniciava na vida dela.
Ademais, o mais importante a dizer da nossa Maria é seu coração dócil. Por conta disso, o próprio Espírito imprimia nela uma chaga ardente, que como brasa, queimava de amor.
Finalmente o amor esponsal em Maria Madalena experimenta um novo patamar. Não ter fisicamente o amado – está agora no sábado santo – a faz purificar o seu amor por Ele.
Humanamente, não sabe bem o que fará adiante: como a alma esposa do Cântico dos Cânticos, corre em busca de saber se alguém viu o Senhor.
No sepulcro faz memória de tudo o que o Senhor lhe fez. Faz memória do amor de Jesus. Faz memória das maravilhas que Deus operou em seu viver.
Um louvor novo, de súbito, surge.
Como numa metamorfose, vê que este louvor a faz experimentar o amor de Jesus novamente como se estivesse Ele à sua frente.
Então, num decorrer de segundos, surpreende-se, em primeiro lugar, porque de repente há um tremor e a pedra do túmulo fora rolada. E mais ainda, ao questionar um tal jardineiro sobre onde puseram o corpo de Jesus!
A Glória de Deus não a faz perceber, de imediato, que à sua frente estava o próprio Senhor. Então, quando Ele a chama pelo nome, num rápido agir, ela abraça Jesus.
Tudo é refeito dentro dela. Enfim, descobre que embora vendo-o e tocando-o, não pode retê-lo, contudo, entende que o Esposo sempre estará com ela. Em tudo que ela fizer, mais ainda que a presença física, Jesus estará com ela…
Por fim, que a força da Ressurreição de Cristo reacenda em nós o desejo mais sincero e puro do amor do Senhor, amor este que é insuperável, irrevogável, incomparável. Dele nada pode nos separar, porque Ele está vivo: nem mesmo a morte pode nos separar dele. Aleluia!
Por Genuan Zanon Dias
Missionário da Comunidade Shalom em Haifa (Israel)
