A pagina evangelho de hoje nos dá acesso como que à uma página do “caderno de oração” de Maria. O Senhor quis nos dar a conhecer a relação perfeita de amor entre Ele e sua criatura. Eis o modelo de oração e de vida que o Senhor espera de nós.
Há uma oposição clara entre a relação que Deus deseja instaurar com Acaz e a que Ele faz com Maria. Acaz rejeita o desejo de Deus, cria resistência, não quer relacionar-se. A sua oração é breve, não quer aprofundar, se afasta: “não pedirei nem tentarei o Senhor”. Acaz cai em uma tentação comum, a dos tíbios, da frieza disfarçada de temor de Deus. Nada mais oposto à lógica da encarnação.
A oração do tíbio é desencarnada, se agradece por coisas genéricas, se pede perdão pelo que nem sei o que, afinal “todo mundo peca”, jamais se entra em relação. “Não vou incomodar a Deus com besteiras”, diria. Uma pessoa assim é como uma brasa que longe do fogo tem seu brilho durante um golpe de ar, mas logo se enche de cinzas novamente.
A oração de Maria é envolvente, é fervorosa, não quer perder uma só palavra do mensageiro divino, quer entender tudo para fazer perfeitamente a Vontade de Deus. A pergunta de Maria é já adesão. “Como?”. Maria se lança na fornalha e do Plano Divino o seu. Se rende em total adesão: “Eis aqui a serva do Senhor”. A resposta de Maria na relação de amor é que resignação, é adesão, como se dissesse, “sou tua serva, a minha Vontade é a tua”. Não há lugar mais agradável para a habitação divina do que um coração assim.
A fervorosa oração de Maria é em total comunhão com a do Filho: “Eu vim para fazer a tua Vontade” *Hb 10,8). A verdadeira oração precisa comprometer a nossa vida, precisa nos “engravidar”, é assim que nos lançamos na fogueira. A obra é Divina, cabe a nós dar o nosso “sim”, o resto Ele mesmo faz.
Que nosso caderno de oração possa hoje receber uma página como esta!
