Me chamo Kauan Afonso Baptista, nasci em 11 de julho de 2003, minha família é toda católica e sempre foi muito envolvida na igreja. Meu pai (Almir) é diácono e minha mãe (Luciana) coordenadora da Pastoral Social e CPC. Desde pequeno fui muito envolvido nas ações da paróquia, catequese e auxiliar de catequista, coroinha (quando mais velho coordenador dos coroinhas), também sempre realizei teatros na Igreja. Eu estudei até o 9° ano no Colégio Franciscano onde também conduzia teatros e estava envolvido nas atividades relacionadas a fé.
1. Raízes na fé e sonhos no futebol
Sempre tive em meu coração o desejo de ser jogador de futebol e isso era o meu maior objetivo mesmo tendo minha vida inteira na Igreja. Minha família sempre foi um exemplo de como viver para Cristo e eu sempre tive muita fé, porém meu maior sonho era o futebol. Então minha rotina era dentro da igreja e a outra parte envolvido em treinos e sonhos. Minhas amizades também eram todas dentro da igreja.
Minha vida longe de Cristo vai ganhando força aos poucos, comecei a me reunir com alguns amigos do grupo de jovens, que havíamos criado na paróquia, para fazermos churrascos antes do grupo, porém o que era uma pequena confraternização começou a ser jovens de 15 anos se reunindo para beber escondido. E isso foi ganhando força pois a partir disso demos abertura a irmos as festas ou organizarmos festas para bebermos e fumarmos, começou aí a vida dupla. Junto disso comecei a crescer dentro da área esportiva, comecei a ter reconhecimento como jogador de futebol e a ter vários “amigos”, que foram intensificando a vida de festas. Comecei a sair mais e cada vez era mais intenso, começou com uma bebida, algo para fumar, uma “ficadinha” mas aquilo foi aumentando.
Daí para frente só piorou a situação, mudei para um colégio maior e comecei a ir jogar em outros lugares então tudo foi ganhando mais repercussão. Até participava de alguns retiros, mas não via mais sentido, chorava pelo remorso, mas uma semana depois já estava nas baladas novamente. Cheguei a me tornar coordenador do grupo de jovens na paróquia, mas era apenas por status.
2. O afastamento de Deus
Em 2020 que tudo foi por água abaixo, entrei para a faculdade e ali as festas começaram a ser diárias, o foco em treinar era zero, dia após dia estava na balada, comecei a usar drogas e a sexualidade extremamente ferida, beijava várias meninas e dormia em camas desconhecidas. Tudo utilizando o status de ser jogador de futebol. Meu pai até me intimava que eu estava desperdiçando minha vida, que não me via em casa, que não sabia se quer se eu estava vivo ou morto. Porém ali eu me sentia realizado, fazendo e usando o que eu bem entendia.
Porém se apresentou uma oportunidade no futebol e eu fui falho, aquilo me causou muita revolta pois era a máscara que eu utilizava, ser jogador de futebol. Então voltei enfurecido, desenvolvi muita ansiedade, então comecei a ter acompanhamento e tomar medicamentos. Porém eu não queria ser ajudado, então minha rotina era treinar muito e no final achar que não era o suficiente, então as noites eram nas festas, deixando lá extrapolar a raiva. E como alguém que não via limites fazia horrores, até que comecei a ser promoter de festas e baladas, ali achei que era meu lugar, porém apenas me feria mais.
3. Ansiedade, depressão e solidão
Sem a atenção necessária a ansiedade se tornou depressão e com essa situação comecei a ter pensamentos suicidas. Os remédios aumentaram, porém eu estava cada vez mais fechado para tudo, comecei a me ferir pela raiva e depressão, então a psicóloga junto do psiquiatra pensaram em me internar para receber medicamento na veia. Nesse momento percebi o buraco que estava, até busquei meus amigos, mas não estavam lá, só utilizavam de mim e da fama para conquistar o que queriam, estava realmente sozinho, então comecei a buscar maneiras de fugir dessa realidade de ir para o hospital.
Foi então que dois amigos meus se inscreveram para o “Desprenda-se”, Seminário de vida no Espírito Santo da Comunidade Católica Shalom e eu vi ali uma forma de fugir. Falei para meus pais que iria mudar de vida e seria diferente, mas meu coração só buscava essa fuga.
4. “Bastava abrir uma brecha”: o encontro com Deus
Foi um retiro de sexta até domingo. Na chegada antes do início eu só falava da vida mundana, de festas etc. Mas na primeira animação eu vi mais de 50 jovens realmente felizes, eles não tinham nada do que eu tinha, mas eram felizes como eu nunca fui. Aquilo me incomodou muito e meu desejo era ser assim, realmente feliz. Na primeira animação, dois missionários estavam no microfone e um deles disse assim: “Deus toca meu coração que existe um jovem que não sabe o porque está aqui, mas Deus te trouxe para mudar a sua vida, não tenha medo de abrir uma pequena brecha no seu coração, pois isso já basta para Deus mudar tudo”. E foi ali, que decidi abrir essa brecha e tudo mudou, cada pregação, cada música, tudo tocava em meu coração. Deus fazia eu lembrar de quem eu realmente sou, da minha vida na Comunidade e o que Ele queria de mim.
No domingo de manhã já desejava ser de Deus, ofertar tudo a Ele, mas havia o medo de ser apenas como os outros encontros, então Deus em sua infinita misericórdia, escreveu na pedra minha vocação. Estava no momento da efusão e eu nunca fui de acreditar em visualizações e moções do Espírito, mas enquanto rezavam por mim, Deus me mostrava um antebraço, o qual começou a ser cortado por uma navalha e foi se formando meu nome, no momento eu me desesperei pois via ali o meu maior medo, o suicídio, mas logo após, uma mão chagada passou por aqueles cortes e nada mais restava, apenas um braço novo e então o irmão proclamou: “Ele te escolheu e faz das suas marcas de pecado, marcas gloriosas que mostram a misericórdia de Deus”, naquele momento sabia que minha vida não era mais minha, encontrei o verdadeiro sentido para tudo.
5. Cura, decisão e novo caminho
Terminando o retiro eu fui de cabeça no que Deus me pedia, fui abandonando cada vício e pecado, doeu muito e houveram quedas mas nada desanimava o coração de um jovem tocado por Deus.
5- Comecei a frequentar a Comunidade e vi ali meu chamado a ser santo. Iniciei em 2023 o vocacional e a ser núcleo da Secretária Jovem, foi um momento de aprofundamento espiritual, fui firmando toda a vivência na vida de oração.
6. Entre o futebol e a vocação
E como Deus é perfeito, trouxe também o futebol, consegui voltar a treinar de forma positiva, alegre e santa. Então com a graça que Ele me deu, assinei um contrato para jogar profissionalmente na Espanha no início de 2024. Vários patrocinadores abraçaram a ideia, fui muito ajudado por todos, Deus realmente fazia uma obra nova. E em janeiro de 2024 embarquei para realizar meu sonho e de outras milhares de crianças, mas com um objetivo diferente, ser santo acima de tudo.
Cheguei lá e muitos zombavam de mim, diziam que eu não era jogador mas sim um padre, pois fazia adoração diária e participava da missa diária no tempo de descanso, mas aquilo foi se transformando, na 4° semana já pediam que eu rezasse por alguém da família ou algum problema que estava passando e no segundo mês alguns começaram a ir comigo a igreja. Deus mostrava ali que meu chamado era maior que isso, pedi então para fazer o vocacional a distância e continuei a aprofundar a experiência que tive com o Ressuscitado.
Foram 2 meses de muita oração e Deus sempre me dizia o seguinte: “Eu realizei o seu sonho e o meu quando você vai realizar?”. Meu coração estava inflamado, não havia outra resposta possível, pedi então para rescindir o contrato e vir embora, existiram contrapropostas mas não havia nada que me atraísse mais que os planos de Deus.
Quando restava uma semana para ir embora, recebi o consolo de Deus, uma semana na Itália, conheci o Papa Francisco, visitei Assis, onde meus dois grandes amigos do céu estão, Carlo e Francisco. Pude conhecer muitos lugares e rezar em igrejas magníficas, tudo me ajudou a tomar a decisão, era hora de voltar.
7. De volta ao Brasil: missão e evangelização
Cheguei no Brasil e iniciei meu trabalho na pastoral escolar e continuei o vocacional, meu ministério agora o Primeiro Anúncio, cuidava da evangelização. Comecei também o curso de Teologia Católica, foi um ano intenso, de reinício, mas foi incrível, cada jovem que era alcançado, cada vida transformada me mostrava que era isso que Ele sonhava para mim. Comecei a evangelizar nas redes sociais e também a levar a história de Carlo para todos os jovens, Deus me inspirava a transformar o mundo!
8. Uma vida nova: radicalidade e propósito
Em 2025 ingressei como Missionário da Comunidade como Postulante da comunidade de Aliança e assumi a coordenação do Primeiro Anúncio, me chamando a pastorear e conduzir a comunidade a evangelizar com ousadia e levar até os confins da terra a experiência com o Ressuscitado que passou pela Cruz. Ele sempre me levando a viver com radicalidade e a evangelizar de todas as formas, levando a todos o amor, misericórdia e alegria que é pertencer a Deus.
Hoje realizo pregações, animações, conduzo retiros e sigo nesse processo de levar a experiência que tive com Deus, afim de mostrar que é possível desejar ser santo e ser jovem, aproveitar a vida de forma verdadeiramente feliz. Mostrar ao mundo que sim, Deus realiza impossíveis!






