Somos renovados pela Ressurreição de Jesus, que, mais uma vez, derrota a morte, o mal, e nos faz reviver, tomar um novo vigor, ter uma vida nova.
Ao olharmos para todo o itinerário que vivemos na Quaresma, celebrar a Ressurreição de Jesus é, de fato, vencermos com Ele.
O encontro com o Ressuscitado
Olhemos para a liturgia de hoje. Jesus Ressuscitado aparece a Maria Madalena. O quanto ela deve ter esperado, chorado, rezado. O quanto ela perseverou até aquele momento.
Vivendo a Quaresma, somos fortemente convidados a olhar para dentro de nós, a reconhecer nossas faltas e a mudar para não mais desagradar a Deus. Não há muitos relatos sobre Maria de Magdala, mas sabemos que ela foi a mulher que tinha sete demônios, e Jesus a libertou. Desde então, ela passou a segui-Lo.
Maria Madalena também lutou, também fraquejou, também se encontrou diversas vezes com suas limitações, com as feridas trazidas por sua história e pelas escolhas que havia feito antes de conhecer Jesus.
E, ainda assim, a pecadora, caída e julgada por todos torna-se a mulher que muito amou.
Muito amou — e, por isso, muito lutou, muito esperou, muito perseverou.
Imagino Maria, no dia a dia, lutando como muitos de nós: contra as próprias vontades, contra os vícios, lutando para permanecer naquele caminho com Jesus, sem se desviar, sem deixar que aquilo que seus olhos contemplavam à beira da estrada tirasse seu olhar d’Aquele que a conquistou, que a curou, que a libertou e que a amou profundamente.
A fidelidade até o fim
Maria Madalena, diferentemente da maioria dos discípulos, permaneceu até o fim com Jesus.
Nós lemos no Evangelho:
“Perto da cruz de Jesus permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.” (Jo 19,25)
A força do amor tomou todo o seu ser, e não havia nada que pudesse fazê-la abandonar o seu Rabbuni.
Conquistada, amada, curada, olhada — ela permanece até o fim com o seu Mestre.
Diante do sepulcro
E é assim que a encontramos diante do sepulcro. Ela sentia saudades do seu Senhor, e ir ao sepulcro revela sua busca por estar na presença — ainda que uma presença aparentemente ausente, já que Jesus havia morrido.
Aqui, podemos olhar também para a nossa vida interior: Maria Madalena não tem medo de voltar ao sepulcro. Não teme encontrar-se com seus pecados, que levaram Jesus à cruz. Ela O busca, porque sabe que só Ele foi capaz de ajudá-la a mudar, a ser alguém diferente. Só Ele deu sentido à sua vida.
Maria encontra a pedra removida e se desespera. Começa a chorar. O clima era tenso entre os seguidores de Jesus e as autoridades religiosas, e ela pensa que alguém roubou o corpo do Senhor.
Mas, no jardim, Jesus já a esperava.
Foi no jardim que teve início nossa relação com o Criador — e é nesse jardim que o Jardineiro nos reconcilia com o Pai e nos devolve a vida.
Maria não O reconhece. Pensa que é um jardineiro. Até que Jesus a chama pelo nome. E ela reconhece a voz do seu Senhor. Talvez, naquele instante, toda a sua história tenha passado diante de seus olhos: o primeiro encontro, a libertação, os momentos ao lado de Jesus, sua voz ensinando, curando, chamando.
Maria tinha ouvido com o coração. Por isso, reconhece. E é a primeira a experimentar o impacto da Ressurreição: o choque que gera alegria, vida nova, esperança.
Ela exclama:
“Rabbuni!” — Meu Mestre.
Uma palavra carregada de amor, intimidade e pertença.
O chamado que permanece
Como não desejar viver esse encontro? Como não desejar ouvir o próprio nome sendo pronunciado pelo Senhor?
Hoje, o Ressuscitado — que passou pela cruz — chama cada um de nós pelo nome. Chama você. E, enamorados, após carregarmos a cruz com Ele, somos também ressuscitados com Ele.
Como Maria, experimentamos a alegria de tê-Lo vivo — não apenas vivo, mas Ressuscitado.
Um convite para hoje
Que vontade de anunciar ao mundo:
O nosso Rabbuni ressuscitou!
Venceu a morte!
Abriu-nos o Céu!
Devolveu-nos a esperança!
De todo o coração, desejo que hoje cada um de nós seja Maria Madalena diante de Jesus.
Que O busquemos sempre, não importa o quanto seja difícil a luta contra o homem velho, contra a carne, contra nossas fraquezas e feridas. Que tenhamos um coração de discípulo. Um coração que escuta, reconhece e se alegra por saber que é amado.
Que sejamos movidos pelo amor e pela alegria que vêm de Jesus Ressuscitado — Aquele que passou pela cruz.
Cristo Ressuscitou, aleluia!
Sim, verdadeiramente ressuscitou, aleluia!
Shalom!
Por Mariana Gutenberg
Shalom, Comunidade vida – Missão São Luís