Um dos temas bastante desenvolvidos, inclusive com a contribuição de grandes santos na tradição espiritual da Igreja, é o da Vida Interior, Vida de Oração, enfim, da Vida Espiritual. Alguns destes mestres não deixavam de evidenciar as consolações, mas também as lutas, os combates próprios deste percurso de fé.
Leia com atenção as afirmações só de alguns deles:
- “A oração é um trato de amizade, estando, muitas vezes, a sós, com Quem sabemos que nos ama. A oração é uma resposta de amor que se fundamenta, na fé, no amor e na confiança. A iniciativa é sempre do Amigo. ” (Santa Teresa de Ávila)
- “Quem sabe rezar bem, sabe também viver bem. ” (Santo Agostinho)
- “Os homens, por meio da oração, conseguem receber aquilo que Deus onipotente desde toda a eternidade decidiu dar-lhes”. (São Gregório)
- “O melhor remédio contra a aridez espiritual consiste em colocarmo-nos como pedintes na presença de Deus e dos santos, e andar, como um pedinte, de um canto para o outro, rogando uma esmola espiritual com a mesma impertinência com que um pobre pede esmola”. (São Filipe Néri).
Porém, o que muitas pessoas não se dão conta é que, quando se trata de vida de oração as informações são sem dúvidas importantes, mas o que conta e faz toda diferença no final é a experiência pessoal do orante.
O querer rezar equivale a se colocar diante de Jesus Cristo e perguntar:
“Mestre onde moras? ” (João 1:38)
E ao invés de receber como resposta uma orientação, semelhante à de quem mostra como chegar na mercearia da esquina, ouve, na verdade, algo bem mais acalentador:
“Vinde e vede. ” (João 1,35-42).
No fundo Jesus quer dizer:
“venha que eu mesmo te conduzirei até a minha casa. ”
As ruminações mentais na oração
Quando começamos a rezar assiduamente, nos deparamos com os movimentos de ruminações mentais. Esse fenômeno se caracteriza por nos deixar presos em um ciclo de pensamentos às vezes positivos, às vezes negativos.
Em alguns casos, geram ansiedades repetindo incessantemente preocupações, seja na forma de erros passados ou de possíveis problemas futuros, sem nunca chegar a uma solução. Elas causam exaustão e em alguns casos afetam até mesmo a saúde mental.
Identificando os gatilhos interiores
Um exercício que faço e que aprendi lendo diários espirituais de mestres de oração, como São João da Cruz e Santa Tereza de Ávila é justamente o de identificar os gatilhos mentais.
Ou seja, reconhecer situações ou eventos que desencadeiam esses tipos de pensamentos e ruminações e inseri-los na oração.
Veja algumas dicas:
1. Analise de nossos conteúdos interiores: Entender quais tipos de pensamentos são repetidos e por que persistem.
- Culpa
- Medo
- Ansiedade
- Preocupação
- Alegria
- Esperança
- Cansaço
- Estresse
2. Iluminar pela Palavra
Depois em oração, iluminado pela Palavra de Deus, alterar a perspectiva sobre esses conteúdos interiores para mudar seu significado emocional e espiritual.
Ao resinificar esses pensamentos negativos, mudamos o foco. Eles então se transformam em aprendizados e novos horizontes podem surgir, mesmo em meio ao caos.
“ A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. ” (Hebreus:11,1).
Quem tem fé é convicto do que não vê. Quem tem esperança, sente e desfruta misteriosamente daquilo que ainda não vê.
3. Exemplo Prático:
Ao invés de concentrar-se num erro cometido de forma fatalista, a pessoa pode inseri-lo no seu roteiro interior, identificar o que aprendeu e como essas lições podem ser uteis no futuro.
Essa técnica permite a pessoa que reza, acessar estados de cada vez mais calma e confiança interior, mesmo quando os eventos e espaços exteriores não favoreçam.
4. A técnica da dissociação
Esse recurso ajuda a pessoa a se distanciar emocionalmente dos pensamentos ruminativos, permitindo uma análise mais objetiva e menos emocional das situações.
Por exemplo, a visualização interior.
Aqui entra em cena a imaginação.
O orante, coloca-se diante dos próprios pensamento, como se fossem apenas nuvens passando no céu. Pode ainda ler um texto bíblico ou alguma lição espiritual de algum mestre da fé.
5.Objetividade:
Outra lição importante é a de analisar os pensamentos sem se envolver com eles de forma emocionalmente exagerada, facilitando assim a identificação de soluções.
Deus é perfeito e perfeita é sua sabedoria. Não há nada que poderíamos dizer ou ocultar que ele já não o saiba. Somos nós que precisamos falar e não é Ele que precisa ouvir ou saber.
Há coisas que compreendemos melhor quando tentamos compartilhar o pouco que já foi assimilado. Da mesma forma há preciosos insights espirituais que surgem quando conseguimos verbalizar na oração.
Está triste? Fale com Deus sobre sua tristeza.
Está cansado? Fale com ele sobre seu cansaço.
Está feliz? Fale sobre sua felicidade.
6. O silencio espiritual:
Após falar e expressar o que sente, o discurso deve ceder lugar ao silencio.
No silencio conseguimos escutar, refletir, descansar e consequentemente captar, intuir um rhema espiritual que nos acompanhará por algum tempo mesmo após o termino da oração.
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