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Dom Antônio Carlos: “A Igreja precisa de missionários apaixonados por Cristo”

Celebração enfatizou a misericórdia de Deus, a vivência das indulgências jubilares e a coragem necessária para anunciar o Evangelho no mundo atual.

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Moysés Azevedo, Dom Antônio Carlos e Emmir Nogueira

Dom Antônio Carlos, bispo auxiliar de Fortaleza, presidiu neste sábado (9), a Santa Missa na Igreja do Ressuscitado que passou pela Cruz, localizada na Diaconia Geral da Comunidade Católica Shalom. A celebração abriu as celebrações do Ano Jubilar Franciscano na igreja. 

Logo no início da Missa, Moysés Azevedo, Fundador e Moderador Geral da Comunidade Shalom, dirigiu uma saudação ao bispo, acolhendo-o em sua primeira celebração com a Comunidade após sua Ordenação Episcopal.

Dom Antônio retribuiu a acolhida relembrando sua relação com o Shalom por meio da participação no Renascer (Retiro de Carnaval da Comunidade) antes mesmo de ser ordenado sacerdote.

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Em sua homilia, Dom Antônio Carlos destacou a importância do testemunho cristão e a missão evangelizadora da Igreja, que diz respeito a todos os batizados.

Testemunho e Anúncio do Evangelho

Recordando a primeira leitura, que narra a escolha de Timóteo por São Paulo para a missão, o bispo destacou um ponto crucial da vida cristã: o testemunho. Antes de mencionar as capacidades ou dons de Timóteo, a Escritura afirma que ele recebia bom testemunho dos irmãos. “Isso nos ensina algo essencial: o anúncio do Evangelho não acontece apenas por palavras, mas sobretudo pela vida”, destacou. 

Sublinhando o exemplo de São Francisco de Assis, Dom Antônio destacou o Pobrezinho de Assis como um “exemplo vivo”, cujo testemunho de pobreza, simplicidade e amor pelos pequenos atraía as pessoas para Cristo, antes mesmo de suas próprias palavras.

Chamados à Missão

O prelado destacou a missão contemporânea da Igreja, falando sobre a visão de Paulo na Macedônia, em que o Apóstolo teve uma visão de um macedônio que suplicava: “venha à Macedônia e ajuda-nos“. Após essa visão, Paulo e Timóteo partiram imediatamente, convencidos de que Deus os chamava a anunciar o Evangelho ali.

Fazendo um paralelo com a realidade de hoje da Igreja, Dom Antônio relembrou que o chamado de Deus é contínuo. “Assim como Paulo ouviu o clamor da Macedônia e partiu em missão, também hoje, Deus continua chamando a Igreja a levar a esperança e a paz do anúncio do Evangelho aos corações dos irmãos necessitados”, disse.

Segundo ele, a missão da Comunidade Católica Shalom é como um exemplo contemporâneo dessa dinâmica. “Esta Comunidade tornou-se sinal vivo do Evangelho através da entrega de tantos homens e mulheres de Deus. Tudo começou de forma simples: uma lanchonete, uma livraria. Mas foi justamente o testemunho desses irmãos que fez nascer vocações, grupos de oração, obras de misericórdia e comunidades missionárias.”

Testemunhas coerentes

Ainda em sua homilia, o bispo auxiliar de Fortaleza expressou seu desejo de que o Jubileu Franciscano seja um convite à renovação do testemunho cristão para toda a Igreja. “A Igreja precisa de discípulos coerentes, missionários apaixonados por Cristo. Pessoas que anunciem com a vida aquilo que professam com os lábios.”

Recordando as palavras do Evangelho de hoje: “Eu vos escolhi e vos apartei do mundo”, Dom Antônio Carlos falou sobre como o discípulo de Cristo vive no mundo, mas não segundo a lógica do mundo. “Somos todos chamados à coerência de vida. Não basta dizer que pertencemos a Cristo. É preciso que nossas atitudes O revelem concretamente”, exclamou.

Expressando com ainda mais clareza o convite do Evangelho à coerência, o bispo disse: “o verdadeiro testemunho acontece quando aquilo que anunciamos com os lábios é confirmado pela nossa maneira de viver.

Esperança e Transformação

Segundo Dom Antônio, a celebração do Jubileu é um convite à esperança e à transformação. “O testemunho dos santos mostra que, quando uma vida pertence verdadeiramente a Deus, ela se torna luz para os outros. Todos são chamados a ser luzes.”

De acordo com suas palavras, o maior desafio da Igreja de hoje não é fazer grandes discursos, mas formar cristãos cuja vida fale de Deus com autenticidade. Com isso, o bispo declarou que o Jubileu deseja despertar essa transformação interior em cada um.

“Meus irmãos e irmãs, este tempo de graça encontra aqui um espaço privilegiado: a Igreja do Ressuscitado que passou pela Cruz, que se torna lugar de peregrinação e de encontro com a Misericórdia Divina. Cada oração e confissão (Sacramento da Misericórdia) alivia e faz sentir o abraço do amor de Deus. Cada oração, cada confissão, tudo isso serve para aliviar o coração, para que a pessoa se sinta abraçada pelo amor e pela misericórdia de Deus.”

Graças especiais do Jubileu

Relembrando as palavras do Papa Leão XIV, ao proclamar o ano jubilar franciscano pelos 800 anos da morte de São Francisco, Dom Antônio ressaltou que o exemplo e a herança espiritual de São Francisco – forte na fé, firme na esperança e ardente na caridade – deve suscitar em todos: a importância de confiar no Senhor, a dedicação ao Evangelho, e o acolhimento, iluminado pela fé e pela oração.

Encerrando sua homilia, o bispo destacou alguns dos dons espirituais do Ano Jubilar: o desejo ardente de viver a plenitude da graça e o dom das indulgências concedidas pela Igreja, que podem ser alcançadas por aqueles que, com coração sincero, se aproximam de Deus.

“Que esta graça nos impulsione à verdadeira purificação interior, fortaleça o desejo de santidade e nos conduza cada vez mais profundamente à Misericórdia de Deus”, finalizou.

Confira a homilia na íntegra


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