Formação

Domingo de Páscoa: Ele viu e acreditou!

Neste Domingo de Páscoa, somos convidados a refletir sobre a ressurreição de Jesus que não é apenas, como cremos, um fato histórico, mas a vitória definitiva da Vida sobre a morte, da Luz sobre as trevas.

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Ícone do Ressuscitado | Foto: David Gabriel

A Páscoa é a festa das festas, o centro da nossa fé. Ao meditarmos o Evangelho de João (Jo 20,1-9), somos convidados a correr com os discípulos em direção ao túmulo vazio. A ressurreição de Jesus não é apenas, como cremos, um fato histórico, mas a vitória definitiva da Vida sobre a morte, da Luz sobre as trevas. Na manhã de Páscoa, o “ver” físico transforma-se no “crer” do coração, abrindo para a humanidade um novo horizonte de esperança. 

Para ajudá-lo a rezar com este Evangelho, apresentamos os cinco pontos centrais da nossa reflexão baseada no podcast.

  1. Maria Madalena: A Apóstola dos Apóstolos

Maria Madalena é a primeira a chegar ao túmulo “…bem de madrugada, quando ainda estava escuro” (Jo 20,1). Aquela escuridão era mais do que a ausência de luz solar; era uma noite na alma de quem, por ainda não compreender a Ressurreição, buscava um cadáver para venerar em vez do Senhor Vivo. No entanto, em sua “peregrinação” de amor constata a ausência do corpo e corre para Pedro e o discípulo amado. Ela nos ensina que, mesmo quando estamos tateando na fé ou vivendo “madrugadas” de dor, devemos continuar buscando o Senhor com persistência. Depois, sua permanência e choro (cf. Jo 20,11-18) serão recompensados com a aparição de Jesus que a enviará aos apóstolos, sendo por isso chamada de Apóstola dos Apóstolos.

  1. Simão Pedro: O Testemunho que Confirma a Igreja

Ao ouvir o relato de Madalena, Pedro corre ao túmulo. Embora o “discípulo amado” chegue primeiro, ele espera por Pedro, respeitando a sua primazia e autoridade. Pedro entra no túmulo e observa os detalhes: as faixas de linho deitadas no chão e o pano que cobria a cabeça de Jesus enrolado num lugar à parte. A figura de Pedro representa o Magistério da Igreja, aquele que dá a palavra final e confirma os irmãos na fé, garantindo que o testemunho da ressurreição seja fiel e ordenado. 

  1. O Discípulo Amado: A Identidade de quem é Amado

O texto faz referências ao “discípulo a quem Jesus amava” ou o “outro discípulo” (Jo 20,2-3.8). Mais do que uma identificação pessoal do autor do Quarto Evangelho, este título é um convite para cada um de nós: sentirmo-nos também “discípulos amados” que correm com entusiasmo ao encontro de Jesus.  Sua fé (“Ele viu e acreditou” (Jo 20,8)) nasce da intimidade com o Mestre; ele não precisa de uma aparição física imediata, pois a visão dos sinais no túmulo é suficiente para que seu coração reconheça a vitória do Senhor. 

  1. Os Sinais no Túmulo: As Faixas e o Sudário 

A descrição minuciosa das faixas de linho deitadas no chão e do pano (sudário, em grego) que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, enrolado à parte (que significa: Eu voltarei!) é um sinal fundamental. Se o corpo tivesse sido roubado, os ladrões não teriam tido o cuidado de desamarrar as faixas ou dobrar o sudário e colocá-lo à parte. Esta disposição no túmulo vazio aponta para um evento divino e ordenado: Jesus não voltou à vida como Lázaro (que saiu todo envolto nas faixas e precisou ser desamarrado), mas ressuscitou para uma vida nova, deixando os sinais daqueles panos dobrados. A impressionante imagem do Sudário de Turim desafia os cientistas há séculos. 

  1. A Compreensão das Escrituras

O Evangelho termina notando que, até aquele momento, eles não tinham compreendido a Escritura que dizia que Jesus devia ressuscitar dos mortos. O cumprimento da Palavra de Deus é o verdadeiro alicerce da nossa esperança, elevando o sepulcro vazio a um monumento de vitória definitiva. A luz da ressurreição ilumina tudo o que foi dito tanto no Antigo Testamento (cf. p. ex. Sl 15(16),9-10; Os 6,2) como pelo próprio Jesus e depois pelos apóstolos que testemunharam (deram a vida pela fé). Somos convidados a passar de uma fé baseada no “ver” sinais sensíveis para uma fé madura, fundamentada na escuta e na compreensão profunda da Palavra. 

Passos da Lectio Divina

  1. Leitura (lectio): Leia atentamente João 20,1-9. Acompanhe Maria Madalena, bem de madrugada ao sepulcro. Tente visualizar a corrida de Pedro e João, o silêncio do túmulo e a disposição das faixas de linho e do sudário enrolado à parte.
  2. Meditação (meditatio): Com qual personagem você mais se identifica hoje? Com a busca persistente de Madalena, com a autoridade de Pedro ou com a fé intuitiva do Discípulo Amado? O que na sua vida ainda parece “escuro” e precisa da luz da ressurreição do Senhor? 
  3. Oração (oratio): Reze com alegria: “Senhor Jesus, Vencedor da morte, eu Vos adoro nesta manhã de luz! Retirai as pedras que fecham o meu coração e dai-me a graça de ‘ver e crer’ na Vossa presença constante. Que a alegria da Ressurreição renove a minha esperança…” (continue conforme o Espírito Santo lhe inspirar).
  4. Contemplação (contemplatio): Permaneça em silêncio diante do túmulo vazio. Sinta o alívio de saber que a morte não tem a última palavra. Adore o Cristo Ressuscitado que preenche todo o universo com a Sua glória.
  5. Ação (actio): A Páscoa é missão. Identifique alguém que vive na tristeza ou no desânimo e leve a essa pessoa uma palavra de esperança e o anúncio alegre: “O Senhor ressuscitou, aleluia! Sim verdadeiramente ressuscitou! Aleluia!”. 

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