Formação

Domingo de Ramos: eis que o teu Rei vem a ti!

Ele vem manso, quase silencioso… mas carrega em si o peso de um Amor que salvará o mundo.

comshalom
Foto de Tim Mossholder na Unsplash

O Domingo de Ramos é, para a Igreja, a abertura da semana mais solene e importante do ano: aquela que nos mergulha na intensidade do amor de Deus — a Semana Santa.

Como narra o evangelista, celebramos a chegada e a recepção de Jesus em Jerusalém, a mesma cidade onde, mais tarde, viverá sua Paixão.

Quão paradoxal pode ser, para nós, essa série de eventos, se pararmos para pensar…

Um povo que esperava libertação

O contexto histórico dessa época nos apresenta algumas características que facilitam a compreensão de toda a simbologia deste dia.

Jerusalém era o centro religioso dos judeus e estava sob o domínio do Império Romano. Havia, por isso, uma forte expectativa pela vinda de um Messias político e libertador, que viria com força, poder, armas e estratégias para libertá-los dos romanos e de governadores como Pôncio Pilatos, conhecido por sua dureza, insensibilidade e postura provocadora.

Criava-se, então, um clima de repressão silenciosa: um povo que, ciente de sua própria impotência, sabia que não havia, em si mesmo, a possibilidade de libertação e, por isso, depositava toda a sua esperança na chegada de alguém que pudesse resgatá-lo.

Além da multidão que o aguardava, havia fariseus e outras autoridades em estado de alerta, diante da possibilidade de uma revolta da população — outra evidência da tensão que consumia o povo.

Um Rei que desconcerta

Desconcertantemente, o Senhor que chega vem indefeso.

Não há armas, nem espetáculo, nem poderio militar. Nada.

Somente um jumentinho — um animal simples, associado aos mais pobres.

Contrário ao que muitos possam pensar, sua entrada dessa forma não nega sua realeza, mas a redefine, rompendo com tudo o que o coração humano — pretensioso e com ares de grandeza — espera.

Cristo vem manso, pobre e cheio de uma determinação que, justamente por ser amor, não quer se impor nem dominar, mas humildemente oferecer-se e entregar-se.

Um Deus que não é como nós

Deus, nessa lógica humanamente absurda — poderíamos dizer, louca de Amor —, vem provar-nos que não é como nós (cf. Nm 23,19). Por isso, pela nossa fraqueza em enxergar além das nossas expectativas de poder, torna-se tão difícil reconhecê-Lo.

Ele sabia que o povo não O via verdadeiramente e que aqueles que diziam:

Hosana ao Filho de Davi!”

posteriormente bradariam:

“Crucifica-o!”

Leia também / Via Sacra com São Francisco de Assis

A hora da revelação

O Senhor, que durante seu tempo de vida pública sempre evitou os holofotes e as agitações dos afetos do povo —

“Ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse” (Mc 5,43)
“Ordenou a seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo” (Mt 16,20)

— agora se vê diante da Verdade: era chegada a sua hora.

Era preciso testemunhar publicamente aquilo que vinha afirmando e aquilo que o povo, por meio dessa recepção, também começava a reconhecer.

Tamanha foi a comoção que até os fariseus se viram de mãos atadas:

“Vede: nada conseguis. Todos vão atrás dele!” (Jo 12,19)

E nós?

Tantas vezes não somos nós esses que vão atrás?

Erguemos ramos, gritamos por Ele… mas quanta dificuldade em reconhecer o Rei que vem na simplicidade.

Repetidamente esquecemos:

  • que foi Ele quem se encarnou e sequer tinha lugar para nascer;
  • que foi colocado numa manjedoura;
  • que era filho de um carpinteiro;
  • que não tinha onde reclinar a cabeça (cf. Mt 8,20);
  • e que, dentro de poucos dias, se abaixará, lavará e beijará os pés dos seus.

Um convite à Semana Santa

Que este Domingo de Ramos e a Semana Santa nos lembrem quem é Deus e nos conduzam ao mistério do Senhor:

Rei que vem a nós cumprir, em dolorosa ternura, sua promessa de nos abrir o Céu.

Shalom. Deus os abençoe!

Por Vitória Ponciano
Shalom, Comunidade de Aliança – Missão Fortaleza

Saiba como aprofundar sua experiência com os mistérios centrais da fé católica através da transmissão do Retiro de Santa Semana da Comunidade Shalom.


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *