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Gerar vida ao nosso redor é a nossa vocação!

Somos mulheres, somos mães dos viventes, mães de uma humanidade órfã, massacrada pela cultura de morte, que se esqueceu do valor de cada homem, de cada mulher, desde a sua concepção até o fim da vida.

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Sou Luciana Araujo e gostaria de partilhar com vocês, mulheres, algo muito forte que me aconteceu.

Há poucos dias sofri meu segundo aborto espontâneo, que como toda morte indesejada, causou-me uma dor dilacerante. Passei pela fase da “anestesia”, não acreditava que aquilo estivesse acontecendo de novo. Logo depois veio a revolta, a inaceitação do fato e os questionamentos a Deus. Isso tudo me levou a enxergar uma realidade interior que ainda não havia assumido: a minha aversão  à morte.  Sim! Percebi o quanto a rejeito, o quanto a considero cruel, desumana, violenta, impiedosa, que não veio do Criador. 

Eu não conseguia chamá-la de Irmã, como nosso querido Francisco de Assis, mesmo sabendo que Jesus, com sua morte, mudou a direção, ela se tornou porta para a Eternidade. Experimentei a consolação de Deus ao ouvir que também Ele “não tem prazer na morte de quem quer que seja” (Ez 18,32). Experimentei o choro do Pai, que chorou a minha dor pela perda de um dos seus amados, dos seus pequeninos. Ele sofreu comigo, em minha carne, a minha dor.

Luciana Araújo é consagrada na Comunidade de Vida Shalom, casada com o Wedson Araújo, mãe de quatros filhos na terra e dois no céu.

A Providência divina sempre nos surpreende! Ela me colocou diante de um homem de Deus, um sacerdote com quem pude compartilhar as minhas angústias, meus questionamentos e confessar os meus pecados. As suas palavras me levaram a compreender o porquê dessa revolta contra a Irmã Morte.

Vamos lá para as origens: a última criatura feita por Deus foi a Mulher, que recebeu o nome de Eva, que significa VIDA, ou a mãe dos viventes. Essa marca original está inscrita em nós mulheres, na nossa identidade mais profunda. Somos geradoras de vida, e qualquer coisa que fere esse dom, fere também a nós,o nosso ser, o nosso interior, mesmo que não tenhamos consciência disso .

NÃO FOMOS CRIADAS PARA GERAR A MORTE, seja com o nosso corpo ou no nosso corpo; seja com as nossas palavras ou gestos. E todas as vezes que caímos nessa tentação, nos desfiguramos, nos distanciamos daquilo que verdadeiramente somos, e assim nos tornamos mais infelizes.

Somos mulheres, somos mãe dos viventes, mães de uma humanidade órfã,  massacrada pela cultura de morte, que se esqueceu do valor de cada homem, de cada mulher, desde a sua concepção até o fim da vida.

Gerar vida ao nosso redor, é essa a nossa vocação! Promover a vida, cuidar da vida, defender a vida. 

Luciana Araújo – Consagrada da Comunidade de Vida da Missão de Sobral (CE)


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