A visita do Papa Leão XIV à Argélia foi vivida de forma intensa e profundamente marcante pelos missionários da Comunidade Católica Shalom que vivem no país. Em meio a uma Igreja pequena, inserida em uma realidade majoritariamente muçulmana, a presença do Santo Padre reacendeu a esperança, fortaleceu a fé e renovou o ardor missionário.
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A participação da Comunidade Shalom na Missa celebrada em Annaba foi, nas palavras dos missionários, “quase indescritível”. A experiência começou ainda de madrugada com a saída às 2h da manhã do ônibus levando missionários e membros da Obra Shalom, sob frio e chuva, para uma longa viagem de cerca de sete horas. O grupo, com quase 50 jovens, sendo apenas três missionários na missão de Béjaïa, percorreu todo o trajeto escoltado pela polícia, devido a questões de segurança na região. Apesar do cansaço, o coração de cada um estava cheio de alegria e expectativa.
“Saímos no frio, na chuva… mas como valeu a pena. Chegar e ver o Papa aqui, sendo Igreja conosco, foi uma graça imensa”, testemunha Jackson Santos, Responsável Local da missão de Béjaïa.

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Serviço junto ao Santo Padre
A alegria não foi apenas de participar, mas também de servir. A Comunidade teve presença ativa na celebração: dois jovens participantes de grupo de oração serviram como acólitos, uma jovem participou do coral, a missionária Emily Batista proclamou uma das preces e o padre Jean Fernandes serviu diretamente ao altar.
Para Emily, consagrada da Comunidade de Vida, o momento foi profundamente especial: “Foi uma grande graça acolher o Papa nesta terra. Poder viver a Santa Missa e ainda ser convidada para fazer as preces foi um presente de Deus. A presença do Papa trouxe esperança, unidade, caridade e respeito entre todos.”
Um dos jovens, Bleysing, moçambicano e membro do grupo de oração, também testemunhou a experiência: “Servir como acólito, participando diretamente da Missa com o Papa, foi algo magnífico. Um momento que raramente se vive.”

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Igreja na Argélia
Na Argélia, os cristãos representam menos de 1% da população. Em Béjaïa e Argel, onde a Comunidade Shalom está presente, a realidade é marcada por simplicidade, desafios e profunda fé. Em Béjaïa, por exemplo, há apenas três missas por mês. Para celebrá-las, o sacerdote precisa percorrer cerca de três horas por estradas montanhosas. Muitas vezes, os fiéis vivem apenas a celebração da Palavra, o que aumenta ainda mais o amor e o desejo pela Eucaristia. Cada missa se torna, assim, um verdadeiro tesouro.

A presença do Santo Padre foi um verdadeiro envio missionário. Em suas palavras e gestos, ficou claro que a missão naquele país passa pela caridade concreta, pelo testemunho silencioso e pelo amor vivido no cotidiano.
“A presença do Papa reacendeu em nós essa chama que ardia no coração de Santo Agostinho. Só Deus é capaz de preencher o coração do homem e isso renova o nosso desejo de anunciar o Evangelho,” afirma Jackson.
Mesmo sendo minoria, os missionários se sentem agora mais confirmados em sua vocação. Em um país majoritariamente muçulmano, a missão se vive muitas vezes no escondimento, na simplicidade dos gestos e na fidelidade cotidiana. Ainda assim, a alegria do Evangelho continua sendo anunciada, não apenas com palavras, mas com a própria vida.


