O evangelho de hoje parece contradizer-se. A reação do povo não parece estar de acordo com aquilo que o evangelista comenta: “O próprio Jesus tinha declarado, que um profeta não é honrado na sua própria terra”, pois o povo da sua terra o acolhem muito bem.
A aparente contrariedade está no fato de que o acolhimento de Jesus ainda era muito superficial. O acolheram bem por causa dos milagres, esperam ver mais milagres, se divertir com a curiosidade passageira de ver sinais portentosos divinos, de provar da água que se tornou vinho, ou de ver coisas ainda maiores. O incômodo de Jesus é justamente esse! “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais.”.
O Senhor não nos deseja com uma fé superficial como nos diz na parábola do semeador: As sementes “que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás.” (Lc 8,13). Quer nos dar uma fé inabalável que não dependa de sinais, mas que tenha raízes profundas.
Por compaixão, ele ressuscita o filho do funcionário do rei, por compaixão ele continuará fazer milagres na nossa vida, quantos ele já fez! Mas, felizes seremos nós quando esperamos da parte do Senhor muito mais que milagres, quando virmos o “filho vivo” se transformar em uma adesão de fé, com toda a nossa família (cf. Jo 4, 53). O que Ele realmente quer nos dar: “novos céus e nova terra”, para isso não é suficiente uma fé apoiada em milagres mas que haja uma sincera conversão do nosso coração.
