Passa-se o tempo, o amor arrefece e as feridas reaparecem… mas o que mudará?
Tantos caminhos percorridos, tantas vias descobertas, tantas vitórias conquistadas — e, mesmo assim, aqui estão elas. Permanecem como espinhos de um cacto, presos a um dedo invisível ao olhar, mas sensível ao toque. E, quando tocados, doem.
É carne. É humano em mim.
Certa vez, ouvi falar da pecadora pública que, atraída por Jesus, aproxima-se e, aos seus pés, derrama lágrimas, enxugando-as com os cabelos (Lc 7,36-50). Muitos de nós — como eu — olhamos apenas o final da história e esquecemos o percurso. Queremos nos aproximar de Jesus como ela, mas ignoramos o processo, o caminho.
Naquele tempo, tocar alguém em estado de pecado exigia purificação. Por isso, quando aquela mulher decidiu caminhar ao encontro de Jesus, muitos deram um passo atrás. E aí está o segredo: o mar de gente à sua frente foi se abrindo, um passo por vez. Assim, uma estrada se fez.
Um caminho nasceu — e foi a sua própria humanidade que o abriu.
Foi então que compreendi: é na minha humanidade, na minha fraqueza, que o Amor vem ao meu encontro. Não é isso que diz São Paulo?
“Quando sou fraco, então é que sou forte.”
Ele veio para os doentes e pecadores. E é assim que vamos a Ele: como pecadores.
No caminho, não esqueçamos: somos pecadores enquanto caminhamos. Com os pés no chão e o espinho na carne, a estrada para o céu se abre diante de nós.
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