Nesta Sexta-feira Santa, a Igreja celebra a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. O tema do dia é “Amor até a consumação”. Durante a pregação no retiro, o responsável pela missão Shalom em Sobral, Marcos José Campos, ressaltou que, a cada ano, vivemos o Tríduo Pascal não apenas como uma recordação, mas como atualização do mistério. “Hoje, a Paixão do Senhor se torna atual. Por isso, não se trata de encenação ou representação. Tudo o que foi vivido na Paixão de Cristo é atualizado no presente”, destacou. Ele explicou ainda que o retiro nos ajuda a parar e viver melhor este tempo, fixando os olhos em Jesus e oferecendo o nosso melhor, pois Ele deu tudo de si, entregando a própria vida, sem reservas.
Refletindo sobre o mistério da Paixão de Jesus, Marcos José destacou que a Sexta-feira Santa é marcada pela experiência da misericórdia e do amor de Deus. “Hoje é o dia da misericórdia, o dia do perdão. Jesus pagou o que nós deveríamos pagar. Aquilo que o pecado de Adão estabeleceu como distância entre nós e Deus encontra, na cruz, uma ponte que nos conduz da morte para a vida, das trevas para a luz. É uma passagem, é a Páscoa”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que este é, sobretudo, o mistério do amor: “Quem ama dá a vida pelo outro. Hoje é o dia do amor. Deus, que nos ama, entrega a sua vida no altar da cruz por nós. Ele se deixa desfigurar por amor e, na cruz, realiza a salvação da humanidade.” Marcos também recordou que Jesus travou, no Getsêmani, a luta que todos somos chamados a viver: fazer a vontade do Pai. “Pai, afasta de mim este cálice, mas que não seja feita a minha vontade, e sim a tua.” Ele destacou que, diante do sofrimento físico, psíquico ou espiritual, muitas vezes pedimos apenas para que Deus o afaste, mas esquecemos de pedir que se cumpra a vontade do Pai.
O pregador ressaltou ainda que não somos capazes de compreender plenamente, neste mundo, o mistério da Cruz. Ao refletir sobre o sofrimento da humanidade, marcado pela fome, pelas guerras, pelas doenças e pelo abandono, afirmou que Jesus quis se unir a toda dor humana, dando-lhe um novo sentido: o amor. “Pai, por amor a Ti e por amor a todos os homens”, recordou. Ele enfatizou que Cristo não sofreu de qualquer maneira, nem murmurando, mas em silêncio: “Foi como um cordeiro levado ao matadouro. Ali, carregava todo o peso do pecado da humanidade, e esse pecado foi redimido na Cruz.”
“Hoje é o dia do amor e da misericórdia que transforma o nosso coração. É passagem da morte para a vida, da desunião para a perseverança. Morremos com Cristo e com Ele ressuscitamos”, afirmou, destacando que este é um tempo de fixar o olhar em Jesus e se unir a Ele.
Segundo Marcos, é também o dia em que o Espírito Santo deseja nos conduzir a uma experiência profunda de conversão: “É um dia de transformação, que nos chama à santidade. Não podemos adiar a nossa conversão.” Ele reforçou a necessidade de abrir o coração para acolher uma graça nova. Inspirando-se em Santa Teresinha, recordou: “Dai-me uma graça só por hoje, até a morte, e que seja uma morte santa.” E concluiu: “Tendo a Deus, temos tudo. Não precisamos viver na ansiedade de buscar todas as coisas.” Parafraseando São Paulo, acrescentou: “Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro.”
Refletindo sobre o tema “Amor até a consumação”, Marcos José recordou a experiência de São Francisco de Assis, que possuía um coração profundamente apaixonado por Jesus e recebeu os estigmas como expressão dessa vivência de dor e amor. “Ele não se sentia digno, mas Jesus o tornou digno na experiência do amor”, destacou.
Segundo Marcos, Francisco meditava constantemente na Paixão do Senhor, especialmente por meio da Via-Sacra, e, ao contemplar Jesus, deixou-se inflamar por esse amor. “Jesus quer nos dar as suas marcas. O nosso sofrimento, unido a Ele, se transforma em marcas gloriosas. Sofrer sem Jesus se torna insuportável; sofrer com Jesus é amor.” Ele acrescentou que é o próprio Cristo quem nos concede paz e alegria, tornando-nos homens e mulheres reconciliados diante da dor, capazes de viver até mesmo entre lágrimas e sorrisos. “Ele transforma tudo o que vivemos em missão.”
Por fim, ressaltou que, ao unir o sofrimento a Jesus, somos enviados ao mundo com uma missão concreta: ir ao encontro dos jovens, dos pobres e das famílias, sem rejeitar o homem que sofre. “Temos uma potência de amor que deseja alcançar o homem de hoje, muitas vezes indiferente a Deus e à própria humanidade.”

