Dentro da Comunidade Católica Shalom o celibato é como uma expressão radical, de entrega espiritual. Essa decisão, é uma escolha voluntária entre os membros da Comunidade Shalom, que buscam uma vida de consagração total a Deus.
Para quem não conhece o Celibato Shalom, é uma decisão que vai além da renuncia do casamento, é entrega completa ao serviço e ao amor incondicional a Deus. Essa decisão mostra não só uma busca pelos desejos pessoais, mas em prol de uma comunhão mais profunda com o sagrado.
A Comunidade Shalom destaca que o celibato não é um fardo, mas sim, um caminho de alegria e realização espiritual. Através desse compromisso, os membros buscam cultivar uma vida de oração intensa, serviço e evangelização, enfatizando o papel do celibato como uma via para uma espiritualidade mais profunda.
Conheça o testemunho de Isabela Lima (Consagrada da Comunidade de Aliança, com votos no Celibato pelo Reino dos Céus):
“O Celibato, é, sem dúvidas, falar do desejo que primeiramente já existia no CORAÇÃO de Deus, e no mais íntimo de mim de ser uma pessoa inteiramente Completa, por ALGUÉM COMPLETO E PERFEITO. Digo que a vontade de Deus sempre foi essa desde o dia que fui concebida e chamada de Isabela: Separada, Eleita, Consagrada a Ele…
Na minha infância, já existia dentro de mim o desejo pela missionariedade e de entregar a minha vida a Deus. Lembro-me das inquietações, dos anseios, da forma como eu já me relacionava com Ele, e da forma como Ele já se relacionava comigo. Ainda na minha infância, tive uma forte experiência com uma foto da SAGRADA FACE, à qual minha mãe guardava, e no verso dela estava escrito: “Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir”. Sim, ali fui impactada com essa frase e atraída de uma forma que não dá para explicar, mas sei que em todas as vezes em que eu olhava para a Sagrada Face de Jesus, eu era muito mais seduzida, muito mais atraída por Ele.
Outra experiência que me marcou profundamente foi em uma Via Sacra, à qual fui escolhida para fazer o papel de Santa Verônica, para enxugar a face de Jesus, e ali, mais uma vez, de forma muito concreta, eu tive a experiência real de que Ele me chamava para Ele, de que Ele me chamava para consolar a Face Dele. Fui crescendo, e comigo foi crescendo mais ainda o desejo de saber o que Ele queria de mim.
Rezando uma vez, sim, rezando, pois eu já tinha vida de oração, e uma vida já dedicada às coisas do Senhor. Em oração, o Senhor me deu a passagem de Mateus 19: “Porque há pessoas que não se casam porque são eunucos de nascença, ou por outros foram feitos eunucos; e há também aquelas que se abstêm do casamento por amor do Reino dos Céus. Quem puder entender, que entenda!” Essa palavra saltou aos meus olhos, e as batidas do meu coração eram fortíssimas, e eu disse para Deus: essa pessoa sou eu, eu nasci para me dedicar a Você e às suas coisas.
Muitas coisas não compreendia, porém, eu desejava viver, porque era muito mais forte do que, e era o próprio Deus quem me fazia sentir. Deus sempre se comunicava de forma muito real comigo, e por meio da sua palavra, como na passagem de Cântico dos Cânticos 2:10-16.
Eu me sentia envolvida por um mistério que não compreendia, mas que sentia o grande desejo de ser toda de Jesus, sem reservas, ao ponto de dizer que Jesus era meu Robin Hood, que Ele havia roubado meu coração unicamente para Ele.
Quando conheci a Comunidade em 2015, fiquei encantada porque descobri que nela alguns irmãos viviam o Celibato pelo Reino dos Céus, e aí as coisas foram se tornando mais claras. Ingressei no Vocacional, e logo depois fui como Jovem em Missão para Macapá, e lá Deus começou a falar de forma mais nítida o que Ele desejava para mim. Aí eu fui colhendo os seus sinais, fui rezando, levava para as formações, e Deus sempre confirmava o que Ele queria “me conduzia a um jardim, e neste jardim se encontrava eu e Ele, enamorados um pelo outro, e que sobre mim Ele traçava a sua Cruz, como forma de eleição”.
Retornando de missão para Mossoró, no meu P1 e P2, eu já levava para as formações esse chamado de Deus, e continuava rezando e guardando tudo no coração. No processo de descoberta do estado de vida, é fundamental a vida de oração, a intimidade com Deus, e sobretudo a discrição naquilo que você está vivendo, porque é um processo entre você e Deus, e no seu íntimo, como diz São João da Cruz, que “para encontrar uma coisa que está escondida, é preciso também esconder-se”.
No meu D1, eu já tinha a plena convicção do meu Estado de Vida, e eu me sentia feliz, privilegiada por isso, e me sentia profundamente amada, porque Ele estava tomando posse de mim de verdade. Continuei rezando, vivendo todos os processos, e esperando o tempo certo para dar passos mais concretos na vontade de Deus. Finalmente, em 2022, no meu D2, comecei a trilhar para a minha consagração de vida e também para o Celibato. A voz de Deus sempre foi muito real, muito certa e muito verdadeira na minha vida, então, com a abertura do meu coração e com o encontro da vontade Dele com a minha, tudo foi mais rápido, o processo foi rápido, a resposta foi rápida, porque Ele tinha pressa.
No dia 14 de abril de 2023, me consagrei no Carisma Shalom, e no dia 03 de junho, no Celibato pelo Reino dos Céus, tudo por graça Dele, tudo conforme Ele desejou para mim. Hoje me sinto completa e realizada por ter descoberto a vontade de Deus na minha vida, e muito grata porque desde cedo o Senhor me separou para Ele, para fazer parte do Reino Dele, para cuidar das coisas Dele, para consolar a face Dele. “Com amor te fiz e te escolhi. Com amor te conquistei, te atraí, te fiz para mim. Com amor te conduzi ao monte onde está a minha CRUZ, e neste lugar te farei feliz. Na minha Cruz manifestarei todo amor, e toda graça. Minha cruz para você não é motivo de dor, mas de alegria plena. Na minha Cruz você conhecerá meu verdadeiro amor, amor que te conduzirá à Santidade. Na minha Cruz te desposarei porque é nela o seu lugar, o seu leito de amor, pois foi para isto que EU te criei.”

